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Não resista ao perverso




“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. 
Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. 
E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. 
Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. 
Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado". 
(Mateus 5.33-42)

  • ENTENDENDO OS ENSINOS DE JESUS


Estará Jesus propondo uma terra sem lei e sem justiça?
Estará Jesus declamando poemas para as multidões?
Será Jesus um mestre que não conhece a realidade humana?
Estarão os cristãos de hoje desobrigados a cumprir instruções já superadas?
Antes de acharmos que estas palavras saíram de algum gabinete de um pastor alienado, vamos compreendê-las à luz do seu tempo.

A expressão "Olho por olho e dente por dente" (verso 38) vem do Antigo Testamento e tinha o objetivo de promover uma justiça retribuitiva, em lugar de uma vingança desenfreada, como a de Lameque, que disse:

 “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou. Se Caim é vingado sete vezes, Lameque o será 77”. (Genesis 4.23-24)

A instrução de Levítico 24.17-20 é bem ilustrativa deste novo ideal:
 
“Se alguém ferir uma pessoa ao ponto de matá-la, terá que ser executado. Quem matar um animal fará restituição: vida por vida. Se alguém ferir seu próximo, deixando-o defeituoso, assim como fez lhe será feito: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. Assim como feriu o outro, deixando-o defeituoso, assim também será ferido" (Cf. Êxodo 21-23-25 -- "Se houver danos graves, a pena será vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por contusão"). 

Jesus propõe um novo modelo de vida, cujo sentido geral é a não resistência. Depois do enunciado geral ("não resistam ao perverso"), Jesus  ilustra sua tese com quatro exemplos.

1.  "Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra" (verso 39) -- Na cultura do Oriente Antigo, tocar na face direita de outra pessoa era uma ofensa insuportável, como a do jornalista que tentou acertar o rosto do presidente George W. Bush, no Iraque. [IMAGEM]
A gravidade do gesto perverso não está na sua dimensão física, mas no aspecto moral. É o insulto em si mesmo, não o dano ao corpo, que importa e fere. O insulto não é para ser revidado.
Quem tem a mente de  Cristo não deve responder ao insulto com outro insulto, mas resistir pacificamente ao insulto.

2. O segundo tem a ver com disputas judiciais: "se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa" (verso 40). -- A túnica era a roupa de baixo, que os mais pobres não tinham; a capa era a de fora, que todos tinham. No caso de um julgamento, o acusado nunca seria obrigado a dar a sua roupa para pagar uma dívida.   
Segundo a legislação hebraica, no caso de ter havido um empréstimo em que a garantia foi a roupa do corpo, esta roupa não poderia ser tomada, no caso de a dívida não ser honrada pelo tomador (Cf. Êxodo 22.26 -- “Se tomarem como garantia o manto do seu próximo, devolvam-no até o pôr-do-sol, porque o manto é a única coberta que ele possui para o corpo. Em que mais se deitaria?).
Além disso, havia no primeiro século da era cristã uma prática muito comum, a de se levar inúmeras disputas aos tribunais. Até mesmo entre os cristãos havia este costume, que o apóstolo Paulo reprova: "O fato de haver litígios entre vocês já significa uma completa derrota. Por que não preferem sofrer a injustiça? Por que não preferem sofrer o prejuízo? Em vez disso vocês mesmos causam injustiças e prejuízos, e isso contra irmãos!" (1Coríntios 6.7-8).
Quem tem a mente de Cristo deve tratar com generosidade até mesmo os perversos que lhe causam prejuízo. Um cristão pode unilateralmente abrir mão de seus direitos. Ele não está obrigado a fazê-lo, mas pode fazê-lo.

3. O terceiro tem a ver uma prática antiga, chamada "corveia": "Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas" (verso 41). -- Na antiguidade e até ao período medieval, havia situações em que o Estado ou pessoas poderosas perversamente exigia(m) serviços gratuitos. O serviço militar obrigatório é um tipo de corveia. Simão o cireneu foi obrigado a cometer uma corveia, levando a cruz de Cristo (Mateus 23.32).
O que Jesus propõe é que, se uma autoridade romana exigisse algo abusivo, legal ou ilegalmente, de um seguidor de Jesus, este deveria obedecer. Isto não implicava em concordar com o sistema, mas em responder com mansidão à violência dos perversos.

4. O quarto exemplo parece se referir à caridade, que se espera de todo cristão, mas, pelo contexto, está ligado também ao tema da resistência pacífica: "Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado" (verso 42). -- Pessoas perversas podem forçar outras pessoas a lhe darem algo que não merecem. O pedido aqui não um pedido de esmola, algo normal, mas de uma exigência violenta. Nos termos de Lucas 6.30, este "pedir" é tirar do outro o que lhe pertence. 
Segundo Jesus, o que foi retirado, mesmo de modo perverso, não deve ser tomado de volta, pela força.

  • APLICANDO OS ENSINOS DE JESUS


Que fazer com estas palavras de Jesus? São quatro versos paralelos, sendo a instrução mais conhecida a do verso 39.b ("Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra"). 
A proposta de Jesus não ignora a realidade do coração humano; antes, propõe a sua conversão, ao pondo de os inimigos se sentarem à mesa. A ética de Jesus é utópica, aos nos convidar a forçar nossos limites na produção da paz, esse escasso bem.
Dos ensinos de Jesus, pelo menos três princípios gerais emergem.

1. As relações humanas não devem ser orientadas pelo princípio da justiça, mas pela disposição à prática da bondade.

A idéia da reparação ("Olho por olho e dente por dente") é justa. Quem feriu deve ser ferido. Quando olhamos para a história, a macro-história e a micro-história, notamos que, ao instilar o medo, a idéia da reparação funciona apenas parcialmente, porque não alcança o coração humano.
O "dente por dente, olho por olho" se assemelha à paz armada, em que um se arma para se defender. No entanto, o armado atacará quando se achar mais forte que o outro, mesmo que não tenha sido atacado.
Nas relações interpessoais, a solução do tipo "dente por dente, olho por olho" preconiza uma vingança que seja proporcional. Como as coisas são mais complexas, o Estado toma para si a tarefa da reparação e cria um sistema judicial, para tornar mais "objetiva" a reparação. No entanto, quem elabora as regras? É tristemente conhecida a resposta: os que estão no poder para poderem continuar no poder. 
Talvez eu esteja exagerando, porque estou com os olhos na Alemanha nazista, que dizimou, "nos termos da lei", milhões de judeus, por serem considerados uma ameaça. Tenho diante dos olhos também os séculos de dominação dos brancos sobre os negros nos Estados Unidos, sempre "nos termos da lei" e com a proteção do Estado. E não foi diferente no Brasil.
É, então, sem valor o sistema de justiça? Claro que não. Neste sentido, trata-se de um mal necessário para diminuir o mal que é intrínseco ao ser humano. Por isto, o sistema deve ser valorizado, fortalecido e aprimorado.
A ética de Jesus não nega o sistema judicial, quando justo, mas vai além. A ética de Jesus, quando convida à bondade, tem o potencial de eliminar o sistema judicial, o que é uma utopia no plano social, mas pode ser realizado no plano individual.

2. Quando estalam os conflitos nas relações sociais, deve-se procurar vencer o mal com o bem, porque é impossível vencer o mal com o mal 
(como Paulo escreve, captando a essencial do ensino de Jesus: "Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem" -- Romanos 12.21). 
O uso do mal contra o mal (uma espécie de atualização do "dente por dente, olho por olho") não é propriamente uma vitória. Vejamos o caso da relação entre israelenses e palestinos nas últimas décadas. Usando força descomunal, os israelenses agem e/ou reagem a ataques palestinos. Qual é o resultado? Justiça? Não. Paz? Não. Ódio? Sim, ódio, ódio,ódio. Quem venceu? Ninguém!
Quem reage com violência à violência do outro é igual ao violento. A violência é sempre uma ação de negação do outro.
O resumo do ensino de Jesus está posto na sua recomendação: "Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra" (verso 39). 
Funciona?
Volto ao nazismo alemão e ao racismo norte-americano.
Como o nazismo terminou? Com o uso da força, mas não da violência pela violência. Os nazistas foram depostos, presos e julgados, tendo tido direito à defesa. Não houve uma matança indiscriminada. A justiça não ficou nas mãos dos ofendidos, mas foi administrada por um sistema judicial "impessoal", sem revanche.
Como o racismo terminou? Na verdade, não terminou, mas foi extraordinariamente contido pela força da resistência pacífica, concebido por líderes como Martin Luther King Jr. Ele e outros, que usaram o princípio da resistência não violenta ensinada por Jesus e posta em prática em muitos lugares como na Índia de Gandhi, obtiveram mais vitórias que os usuários (como Malcolm X) da violência contra a violência. A propósito, todos estes seguidores de Jesus (Henry Thoureau, Lev Tostoi, Martin Luther Kingir Jr.) concordam com Gandhi que a resistência é pacífica, mas não é passiva contra as injustiças.
Talvez não tenhamos grandes dificuldades em aceitar o princípio da resistência pacífica quando aplicado coletivamente, mas é provável que tenhamos imensas reservas quando somos convidados a aplicá-lo nas nossas relações interpessoais? Aceitamos, com Lev Tolstoi, que "só há uma maneira de acabar com o mal: é responder-lhe com o bem"?

Coloquemos o problema em forma de dilemas:

2.1. Deve um cristão reagir a um assalto?


Todo ser humano tem o direito de se defender, para preservar sua vida. Este é um princípio universal e deve valer como valor maior.
No caso de um assalto, deve entrar em cena também a sabedoria: a reação trará liberdade ou morte? Os conselhos das polícias no mundo inteiro indicam que não se deve reagir a um assalto porque nunca se sabe o que o assaltante, sozinho ou com comparsas, pode fazer. É preciso sabedoria para avaliar o mal menor. Perder um bem é um mal menor.
O terceiro princípio é que a defesa, diante do assalto, deve ser apenas defesa, não vingança, não destruição do assaltante. Se ele for imobilizado, por exemplo, deve ser entregue às autoridades policiais e não destruído (mesmo que na avaliação comum, não fique preso o tempo que deveria). Nada de "dente por dente, olho por olho".
Dirão alguns: isto exige sangue de barata. Não, isto é uma exigência para quem procura ter a mente de Cristo. É por que o apóstolo Paulo recomenda para que oremos "para que sejamos libertos dos homens perversos e maus, pois a fé não é de todos" (2Tessalonicenses 3.2).

2.2. Deve um cristão litigar sua causa no tribunal?

Ao tempo de Jesus, as pessoas iam para um tribunal por qualquer coisa.
Vejamos o caso da justiça trabalhista. Há uma cultura segundo a qual um empregado sempre ganha alguma coisa quando leva sua empresa a juízo. 
Um cristão deve ir a um tribunal se entende que o seu direito foi realmente e intencionalmente ferido, não para levar alguma vantagem. Um jornalista cristão foi contratado por uma universidade para uma função que, segundo a lei, devia ser desenvolvida numa jornada diária de seis horas. No entanto, durante anos ele trabalhou oito horas diárias. Quando recebeu um convite para trabalhar em outra empresa, pediu para ser dispensado a fim de levantar seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A empresa não o fez. Então, ele se lembrou que trabalhou mais que a jornada permitida. Era o caso de ir ao tribunal e ganhar um bom dinheiro. No entanto, ele se perguntou: a universidade agiu de má-fé comigo? Ele concluiu que não, porque nem ele mesmo se lembrou que sua jornada deveria ter sido menor. Ele não processou seu empregador, embora pudesse, porque entendeu que não seria justo. 
O mesmo jornalista, contratado por outra universidade com um mandato, segundo os estatutos da organização, teve este mandato interrompido. Ele procurou a direção, pedindo a indenização pelo período do seu mandato. Foi aconselhado que buscasse seus direitos na justiça. E ele o fez.
Tem havido também, por exemplo, a cultura de se ir a justiça em busca de reparação por dano moral. Um cristão que foi REALMENTE prejudicado no plano moral deve buscar a justiça em busca de justiça. Um cristão não deve ir á justiça para levar vantagem, usando de brechas na lei ou falando meias-verdades.
É claro que um cristão deve viver de modo digno, em todos os seus relacionamentos, de modo a não dar razão para ninguém o levar ao tribunal para buscar o que é justo. Não há dúvida que "é melhor sofrer por fazer o bem, se for da vontade de Deus, do que por fazer o mal" (1Pedro 3.17).
No caso de desavenças no interior de uma igreja (comunidade local ou denominação religiosa), o apóstolo Paulo legislou claramente sobre o assunto, quando escreveu aos coríntios: "O fato de haver litígios entre vocês já significa uma completa derrota. Por que não preferem sofrer a injustiça? Por que não preferem sofrer o prejuízo? Em vez disso vocês mesmos causam injustiças e prejuízos, e isso contra irmãos! (...) Portanto, se vocês têm questões relativas às coisas desta vida, designem para juízes os que são da igreja, mesmo que sejam os menos importantes". (1Coríntios 6.7-8, 4)
O que o apóstolo Paulo diz é que, infelizmente, podem surgir desavenças no interior da igreja (e mesmo no da família carnal). O que devemos fazer? Devemos resolver o assunto internamente, mesmo que isto traga prejuízo. Além de evitar o escândalo (1Coríntios 6.6), trata-se de sabedoria. Muitas vezes, perder é melhor do que ganhar. Um cristão pode abrir mão de seus direitos.
Imaginemos a seguinte situação. Os pais deixaram bens, para serem divididos entre os filhos. Os filhos se desentendem, algumas vezes porque uns querem passar a perna em outros. Rebenta o conflito, resolvido no tribunal, que faz justiça. No entanto, alguns irmãos não se falam mais. Os bens separaram os filhos e, por extensão, os netos? Valeu a pena?

2.3.  Deve uma mulher vítima de violência (moral ou física), em casa ou fora de casa, sofrer calada?

Aplica-se nestas situações o princípio da resistência pacífica?
O universal princípio de autodefesa continua válido, mesmo que a violência seja praticada pelo cônjuge. Por amor a Deus e por amor a si mesma, uma mulher agredida deve se defender.
Não havendo mais diálogo e nem disposição de mudança por parte do agressor, a mulher tem que preservar sua vida. Para isto, deve-se aconselhar e até buscar a proteção da polícia. Em todos os seus atos, porém, não deve ser levada pelo ódio, que a tornará igual ao agressor e até poderá agredir também.
O silêncio diante da agressão prepara o território para que os violentos ampliem seu leque de perversidades e o número de suas vítimas.
Há notícias de um médico paulistano, especialista em fertilização, que foi preso por ter abusado (ou tentado abusar) sexualmente de suas clientes. Se são verdadeiras as acusações, é possível que muitas vítimas não seriam vítimas se o homem tivesse sido denunciado antes.
Denunciar um agressor é uma forma de fazer o bem.

2.4. Pode um policial ou militar cristão matar?

Há muitos anos preguei sobre o mandamento "Não matarás", um absoluto de Deus. Ao final, um jovem militar me perguntou sobre quem mata numa guerra. Recentemente, outra pessoal, policial, fez a mesma pergunta, que demanda uma resposta diante também do ensino de Jesus. Numa guerra, um militar recebe uma ordem em defesa da sua pátria.
Está ele desobrigado de obedecer a Deus para obedecer aos homens?
O princípio ("Não matarás") continua válido. Guerra é algo sempre horroroso. Até as guerras justas são horrorosas. O militar cristão deve ponderar se a guerra é justa; se, no seu entendimento, a guerra for injusta, tem o direito de não ir à guerra, não importa o preço a ser pago. Se a guerra for justa, o militar cristão deve julgar se a ordem recebida para matar é justa. Se receber, por exemplo, a ordem de eliminar uma aldeia de civis desarmados, ele deve desobedecer, não importa o preço a ser pago.
No caso de um policial em defesa da sociedade, os princípios são os mesmos. Sua profissão é válida e necessária. 
Um policial cristão deve ser um promotor da paz, não um derramador de sangue. No caso de receber uma ordem injusta, ele deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para não cumpri-la. Se a ordem for justa, mesmo implicando em matar, deve cumprir o seu dever. Se um policial, por exemplo, faz parte de uma equipe de elite e, depois de postado diante de um seqüestrador, recebe a ordem de matá-lo para salvar o/a refém, ele deve obedecer e fazer bem o seu trabalho. É o que toda a sociedade espera. O que a sociedade não espera é que o policial faça justiça com as próprias mãos, integrando, por exemplo, algum grupo de extermínio ou usando suas insígnias e armas para ameaçar ou eliminar pessoas.

3. Nós devemos tratar com generosidade a todas as pessoas, até mesmo aquelas que nos causam prejuízo.

Há pessoas que  põem em prática este ensino. Uma dessas deu trabalho esporádico a uma pessoa, mas não lhe assinando a carteira, como devidamente combinado. Algum tempo depois, essa pessoa lhe moveu um processo, encerrado com um acordo. Decorrido mais algum tempo, essa pessoa, em dificuldade financeira, pediu-lhe trabalho de novo e o recebeu. 
Isto é tratar com generosidade as pessoas. Isto é aceitar o insulto sem revidar. Isto é ter a mente de Cristo.
Ser justo é retribuir. Qualquer um faz isto. Ser generoso é contribuir com quem não merece. Isto é ter a mente de Cristo.
Nesta jornada, precisamos revisar nossos corações e nossas práticas.
Eis do que somos capazes: uma pessoa ocupava no metrô um banco destinado a pessoas idosas ou portadoras de necessidades especiais. Numa estação, entrou uma dessas pessoas. Quem estava assentado fez de conta que estava dormindo. De vez em quando, abria os olhos. Só os abriu eu definitivo quando viu que a pessoa que precisava estar naquele banco tinha descido. O egoísmo faz com que pessoas necessitadas sejam ignoradas.

CONCLUSÃO

Termino com uma pergunta que exige uma autoavaliação.
Como você reage quando é contrariado?
Como você reage quando os seus valores são contrariados?

Você é contra o aborto e sabe que há uma clínica na sua cidade praticando abortos clandestinamente. Você fica indignado. Então, denuncia-a a polícia. A polícia não fez nada. Em lugar de continuar protestando, você faz justiça com as próprias mãos. Reúne outras pessoas e invade a clinica destruindo tudo o que encontra.
Isto já aconteceu nos Estados Unidos. Para que a justiça seja feita, mata-se. Houve um caso mais ou menos recente. Um médico cuja clínica praticava abortos estava num culto, como fazia todo domingo, quando, ao entrar no templo, foi fuzilado e morto. Justiça demais mata.
Em 2009, uma estudante foi linchada moralmente e poderia sê-lo fisicamente numa universidade. Numa noite de aula, ela colocou um vestido considerado exagerado e provocante e foi para as aulas. A notícia correu pelo prédio. Os alunos e alunas foram saindo das salas em direção à sala onde estava a estudante. Formou-se um tumulto alimentado por palavras de ordem, com xingamentos à estudante, que teve de ser resgatada. Como os ânimos estavam agitados, é possível que ela fosse agredida fisicamente. É provável que alguns daqueles estudantes, a partir de alguma disposição insuflada por umas poucas pessoas, tenham decidido fazer justiça com as próprias mãos e punir aquela estudante que atrapalhava o ambiente da escola ou sujava a imagem daquela universidade. Não há registros que tenham procurado resolver o conflito de uma maneira pacífica, passando pelos trâmites próprios. Tudo tinha que ser resolvido naquela noite. Era preciso dar um basta naquele comportamento naquela noite. De certo modo, agiram sem pensar. Toda violência é uma ação irrefletida. As brigas no trânsito são movidas pelo desejo de justiça. As discussões na família, na escola, no trabalho ou na igreja nascem do desejo de justiça. Este desejo de justiça se expressa pela violência quando se torna mais forte que a razão, porque a razão aconselha ouvir o outro lado ou esperar que o sistema judicial funcione, se for acionado. Justiça demais mata.

Você ama muito a alguém. Por alguma razão, no entanto, essa pessoa é tirada do seu convívio. Você fica indignado. Então, mata (física ou simbolicamente) a pessoa amada ou a pessoa que impede o acesso à pessoa amada. 
Isto acontece com pais separados em litígio e há uma criança no meio deste amor. E infelizmente temos notícias de casos extremos em que a criança é assassinada para que não seja amada pelo outro. E infelizmente temos notícias de homens que assassinam mulheres que os abandonam, deixando (alguns) melodramáticos bilhetes de despedida em que dizem: "se ela não é minha, não será de mais ninguém".
Todos diremos: esses são casos patológicos, mas todos precisamos nos examinar para ver se nosso amor não está matando (simbolicamente). Amor demais mata.
    
Por incrível que pareça, verdade demais mata.
Para que a verdade não mate, ela precisa ser demonstrada com amor.
O amor tempera a verdade, acondicionando-a com especiarias que a tornam deglutível.
O amor põe a verdade em segundo plano, quando o primeiro plano não produz vida.
Quando a verdade é gestada na atmosfera do amor, é proferida entre risos e não com mal-humor.
Entre o amor e a verdade, se uma escolha fosse necessária, eu escolheria o amor.
E você?

Levar desaforo para casa pode ser uma forma de pôr fim à cultura da violência e de praticar a cultura da paz. Quem tem a mente de Cristo contribui para encerrar a espiral da violência. 
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(DRIVER, John. Ouça Jesus. Campinas: Cristã Unida, 1995, p. 73.)

Conheça Deus como Ele é de verdade




Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.
Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.
Salmos 1:1-3



Você conhece Deus?

É muito comum ouvirmos pessoas definindo Deus conforme seu próprio entendimento:

"Deus é amor"
"Deus age assim ou assado, senão não seria um Deus justo." 
"Estou errado, mas Deus conhece meu coração."
"Deus perdoa tudo"

A cada dia, mais e mais pessoas formam seu próprio conceito de Deus, como se ele fosse um ser imaginário, que pudesse ser moldado conforme a conveniência de cada um. 

Essas pessoas não conhecem Deus. 

Veja, se você nunca tiver visto um cão em sua vida, mas acreditar que ele é um animal que voa, sua crença não fará com que os cães passem a voar.
Da mesma forma, acreditar que Deus irá agir ou pensar conforme sua conveniência ou crença, não fará com que isso ocorra.
Então pare de se iludir.
Deus não é o que você quer que Ele seja, Ele é quem é: um ser único, soberano, onisciente, onipresente e onipotente. 
Cabe a nós buscar conhecê-lo e amá-lo, ainda que seus pensamentos ou julgamentos não estejam de acordo com nossos objetivos.
Assim como Deus nos ama como somos, com nossas falhas e limitações, nós devemos amá-lo ainda que, não consigamos compreender  ou concordar com seus desígnios. 
Entenda: bondade não é sinônimo de submissão; liberdade não é o mesmo que libertinagem ou ausência de consequências. Só porque Deus nos ama, não significa que ele irá passar por cima de nossos erros.
Quando compreendemos que Deus não agirá de acordo com nossa vontade e sim de acordo com a vontade e propósito Dele nós nos libertamos de conceitos aprisionadores, que nos impedem de seguir adiante. Deixamos de fazer parte dessa geração "casca de ovo", que se quebra ao menor toque, para nos transformarmos em pessoas fortes, que entendem que os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos. As nossas preocupações não são as mesmas preocupações de Deus.
Enquanto nos preocupamos com o agora, Deus está focado na eternidade; enquanto nos preocupamos com o corpo, Deus se preocupa com a alma; enquanto nos desesperamos com uma leve chuva, Deus já sabe que amanhã o sol nascerá novamente.
Por isso, quando conhecemos Deus e começamos a compreender um pouco de sua essência, nossa fé é fortalecida.
Aprendemos que podemos caminhar sem vacilar, nos caminhos que Ele nos propôs, ainda que as circunstâncias sejam adversas, pois CREMOS que Deus já preparou tudo para que alcancemos nossa vitória.
Aprendemos que devemos colocar a mão na massa e agir, pois Deus não é nosso empregado e não trará nossas bençãos mastigadas e de mão beijada. Teremos que lutar por elas.
Aprendemos que Deus é um ser pessoal e que está disposto a se deixar conhecer, se assim o quisermos, e que cada novo aprendizado sobre Deus adquirimos mais segurança, fé e paz que excede todo o entendimento.
Talvez você esteja passando por algo difícil nesse momento, todos nós passaremos por tribulações em alguns momentos de nossa vida. Mas não se desespere. Ao invés de ter pena de si mesmo, lembre-se que Deus é contigo!
E ainda bem que Ele não é como nós idealizamos, nem obedece as nossas conveniências., pois é justamente por isso que Ele pode fazer muito mais do que pedimos, muito mais do que sonhamos e esperamos.
Então pegue não mão Dele e juntos vocês irão superar todas as adversidades.
Nosso Deus não falha, nosso Deus não dorme e Ele quer que você cresça e frutifique.Ainda que para isso seja necessário passar por fases difíceis. 
Mas lembre-se: Ele não te abandona nunca!
Que tal refletir nessa mensagem e adotar uma postura diferente a partir de agora? Que tal amadurecer na presença do Senhor e ser como a árvore plantada junto a ribeiros de água?
Que tal conhecer Deus de verdade?
Só depende de você.

Disciplina é liberdade



corramos com perseverança a corrida que nos é proposta
Hebreus 12:1


Muitas pessoas se aborrecem com Deus e vivem prostradas se lamentando porque estão atravessando um grande deserto. Vida financeira ruim, desemprego, vida sentimental em frangalhos, obesidade, enfim são inúmeras as queixas e todas vem seguidas de uma revolta: por que Deus permite isso? Por quê?
Mas o que essas pessoas não entendem é que não somos fantoches de Deus. Somos seres dotados de inteligência, capacidade de autodeterminação e livre arbítrio.
Deus nos ajuda sim, principalmente se pedirmos, mas, como já falamos inúmeras vezes por aqui, o que o homem pode fazer Deus não faz.
Então se for murmurar ou orar pedindo para Deus fazer o que cabe a você fazer, infelizmente, você está perdendo seu tempo.
Por mais que Deus se compadeça e o coração dele doa, ele te dirá um sonoro NÃO, pois Ele, como bom pai e em razão de todo o amor que Tem por nós, sabe que precisamos aprender e crescer.
Então, agir como uma criança birrenta não nos leva a lugar algum. Por isso reflita: se as coisas não estão acontecendo, se suas orações não estão sendo atendidas, talvez seja porque você está pedindo algo que cabe somente a você fazer.
Mas talvez alguém diga: ei eu não posso dar emprego a mim mesmo. Já procurei em todo lugar e não consegui nada.
Já mesmo? Tem certeza que fez tudo o que podia?
Muitas pessoas desistem após receberem alguns NÃOS da vida e passam a dedicar seu tempo a lamúrias e reclamações. Se ao invés disso, investissem seu tempo em perseverar, certamente o resultado seria alcançado em bem menos tempo.
Como fazer isso?
Simples: disciplina.
Disciplina é a chave para o sucesso.
Muitos dirão que o sucesso é obtido quando fazemos o que amamos. Mas isso não é verdade. Sucesso é o resultado da associação da disciplina com a perseverança.
Quando fazemos o que amamos o simples desempenhar da atividade nos gera prazer.
O mesmo não ocorre quando fazemos o que não gostamos. Todo o nosso corpo e pensamento contribuem para um não fazer. 
É aí que entra a disciplina.
É preciso se habituar com determinada tarefa ou determinados comportamentos, que nos direcionam para nosso objetivo. Se quero passar num concurso público, tenho que ter a disciplina de estudar todos os dias, embora não goste; se quero emagrecer tenho que ter a disciplina de seguir a dieta todos os dias, embora não goste; se quero um emprego, tenho que ter a disciplina de buscar todos os dias, embora esteja desesperançado.
A disciplina nos dá o controle sobre as atividades que cabem a nós fazer. E ao perseverar nessas atividades, certamente alcançaremos nosso alvo.
Aí sim, quando fazemos tudo o que está ao nosso alcance e perseveramos, sem pestanejar, Deus se move, abrindo as portas diante de nós.
Não se iluda, não existe vitória sem batalha. Você acharia justo, se um atleta despreparado ganhasse a competição? Certamente não. 
E se esse atleta tivesse um acesso de choro em meio a competição gritando que quer ganhar, que sempre perde e que isso é injusto. Você mudaria de ideia? Provavelmente também não.
Para ganhar a competição um atleta precisa se preparar e essa preparação exige muito treino, muita disciplina e perseverança. Não é fácil.
Há renúncia. Há dor. Há privação.
Mas, o atleta conhece seu alvo e seus objetivos e sabe que, no fim, receberá a vitória por seus esforços.
Assim é conosco. 
Algumas vezes sentiremos dor. Teremos que renunciar a muitas coisas. Teremos que nos privar de outras tantas, mas no fim valerá a pena.
Creia, você pode vencer essa batalha que está diante de você. Deus te capacitou para isso. E se o obstáculo for grande demais, faça a sua parte, que Deus fará a dele.
Mas não murmure, não se comporte como uma criança. Persevere e tenha fé.
Não é fácil, mas valerá a pena.
Muitos dos problemas que nos rodeiam fomos nós mesmos quem demos causa, e se fomos capazes de entrar em determinada situação, também somos capazes de sair dela.
Sua vida financeira está ruim? Certamente você pode administrar melhor suas finanças e, assim, conseguir saldar suas dívidas. Se não consegue pensar em nenhuma saída, e simples: peça ajuda! Estude, pesquise. Você é inteligente, você é capaz e a saída para esse turbilhão saltará aos seus olhos.
Sua vida amorosa está ruim? Certamente você é capaz de organizar seus pensamentos e, assim, colocar cada sentimento no devido lugar. Não consegue sozinho? Peça ajuda!
Enfim, não importa qual o seu problema, faça a sua parte. Dê o seu melhor, persevere e creia, Deus te dará a vitória.
E nunca se esqueça: seja disciplinado.

A verdadeira alegria



E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
João 8:32


A sociedade hoje vive em constante mudança. Nada mais é estável, nada mais é confiável. O tempo passa depressa e muitos valores vem sendo relativizados, em nome de uma suposta inclusão social.
O preço desse progressismo é visto em nossas vidas diariamente: transtornos como a ansiedade, depressão, estresse e síndrome do pânico se tornam mais comuns a cada dia.
E o mais impressionante é que mesmo percebendo que estamos em um carro desgovernado, ninguém pisa no freio. Ao invés disso, descontamos nossos anseios em compras, comida e outros vícios, buscando em vão obter algum alívio ou prazer.
No entanto, não conseguimos nenhum êxito em nossos objetivos. A compra do celular de ponta, que acreditamos que irá nos trazer alegria, na realidade nos traz uma satisfação momentânea. Em poucos dias ou semanas o aparelho já foi superado por outro e nós, sem ter aproveitado a nova aquisição, já não vemos no celular nenhuma fonte de prazer.
Engolimos tão depressa a comida que acreditamos que nos trará satisfação, que nem mesmo sentimos o gosto. Então vamos aumentando a dose a quantidades insalubres, a fim de afogar nossas mágoas em meio a ingredientes gordurosos e adocicados, mas o resultado é apenas obesidade e culpa.
Os vícios somente trazem dependência e nenhum consolo ou paz.
É preciso parar com esse comportamento autodestrutivo.
E não é parar o outro, ou a sociedade ou o sistema.
Cada um deve cuidar de si mesmo.
Ao perceber que algo precisa ser mudado ou melhorado, nós temos o péssimo hábito de querer enfiar essa verdade goela abaixo de nosso próximo. E é por isso que Jesus disse que antes de mudar os reinos, ou seja, antes de mudar o sistema político, é necessário mudar os homens.
O aprendizado é muito mais bem sucedido através do exemplo do que pelo ensinamento. O ser humano aprende por imitação.
Portanto, se adotarmos hábitos e valores melhores para nossas vidas, se vivermos aquilo que defendemos, levaremos através de nossa vida a mudança que o mundo precisa.
Nós precisamos viver a mudança primeiro em nós. Quando essa mudança se tornar a nossa verdade, então os outros poderão nos seguir e melhorar também.
E, para que isso aconteça, é preciso entender que algumas coisas não irão mudar só porque gostamos ou não gostamos, só porque achamos injusto ou injusto. É assim na vida, é assim com Deus.
Não podemos relativizar a verdade, a verdade é uma só.
Não importa se achamos injusto não poder comer o quanto quisermos, o excesso de comida traz enfermidades; não importa o quanto achamos injusto não podermos beber álcool sem sofrer danos, o excesso de álcool gera embriaguez e seu uso contínuo traz enfermidades; não importa o quanto achamos injusta a lei da gravidade, se pularmos de um precipício morreremos.
Precisamos aprender a conhecer e lidar com a verdade!!!
Só então pararemos de nos comportar como crianças mimadas. Só então deixaremos de buscar alívio em fontes erradas, só então cada coisa voltará ao seu devido lugar.
A comida, fonte de nutrição; as compras para suprir necessidades; e os vícios deixam de existir para dar lugara a hobbies.
Quando compreendemos que não podemos mudar o imutável, passamos a caminhar de forma mais coesa e certeira em direção aos nossos alvos. Quando compreendemos que Deus é a verdade e que essa verdade foi moldada de acordo com o caráter Dele, entendemos que não podemos relativizá-la de acordo com a consciência de cada um de nós.
Afinal, o que é bom para um, não é bom para o outro. O que é justo para um, não é justo para outro, mas a lei de Deus, a verdade de Deus, o padrão moral de Deus é um só para todos nós.
Quando compreendemos isso deixamos de perder tempo com discussões tolas, deixamos de nos estressar com tolices e de perder a sanidade buscando alívio em fontes erradas.
Quando compreendemos isso, aprendemos que devemos nos concentrar na verdadeira fonte de alegria e paz, que é Jesus, pois a Alegria do Senhor é a nossa força e só Jesus nos dá a paz que transcende todo o entendimento.
Então, está ansioso? Está estressado? Está com medo? Está nervoso?
Vá orar.
Não importa o quão pesado é o teu fardo, Jesus te promete um fardo suave.
Pare de buscar alívio nas fontes erradas. Saboreie a comida, desfrute e valorize dos bens que Deus te permite ter, não considere todas as coisas ou pessoas como descartáveis.
Jesus é a verdadeira alegria.

O que realmente vale a pena




Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Mateus 6:33


De repente as coisas deixam de ser importantes, deixam de valer a pena. 
Sabe aquele lindo carrinho que todos os outros meninos tinham, menos você? E aquela boneca caríssima, que sua mãe não pôde comprar? Sabe aquele segredo que você temia que os outros descobrissem? E aquelas roupas que você fazia questão de usar aos 15 anos, lembra?
Pois é, a vida passa.
Muitas coisas que hoje são importantes para nós, amanhã não valerão nada, nem para nós mesmos. Algumas até renderão boas lembranças, mas a maioria delas cairá no total esquecimento.
Daí nasce a questão: 

O que você tem valorizado em sua vida? 

A que objetivos você tem dedicado seu tempo?

Jesus nos orientou a buscar o reino dos céus em primeiro lugar em nossas vidas, pois os tesouros que ajuntarmos lá serão incorruptíveis.
Salomão, por sua vez, nos ensina no livro de eclesiastes que tudo é vaidade, apenas Deus é real e nosso melhor objetivo.
Então, pare por um momento e reflita: será que as questões que vem te causando ansiedade e aflição, realmente merecem tanta atenção?
Será que realmente vale a pena sofrer pelas questões que vem angustiando o teu coração?
Desilusões passam, dívidas passam, amores passam, desejos passam, status passam, a vida passa...
Apenas a palavra de Deus é eterna.
É por isso que não vale a pena se afogar em pensamentos de dor, culpa e autocomiseração. Ao invés de ter pena de nós mesmos, devemos ter fé e olhar adiante, pois o nosso socorro vem do Senhor, que fez os céus e a Terra. Salmos 121:1
É verdade que nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos, mas Deus sempre tem o melhor para nós e, algumas vezes, o melhor é dizer não para alguns de nossos desejos

E ouvir não é ruim, dói.
Mas é necessário.


E somente quando nos tornamos maduros é que compreendemos o quanto alguns "nãos" foram necessários em nossa vida e o quanto sofremos por coisas que não valiam a pena. Coisas que hoje fazem parte de nosso passado e nem mesmo nós compreendemos porque nos desgastamos tanto para ter ou deixar de ter. 
Mas Deus é tão maravilhoso que todos os dias ele nos oferece uma possibilidade de recomeçar. Não importa o que aconteceu ontem, o hoje é um livro em branco que podemos preencher e pintar com as cores e histórias que desejarmos.
Então ao invés de se cobrar ou sofrer, viva o hoje. Faça hoje o que não fez ontem. Implemente hoje a mudança que deseja, recomece, faça de novo, reinvente, mas siga adiante, valorizando o que realmente vale a pena.
Deixe de lado as paixões terrenas, deixe de lado o consumismo vão, deixe de lado o status, deixe de lado o que não vale a pena... valorize o que Deus te deu de melhor. Sua vida, sua família, sua história.
Invista em você e viva a vida em abundância que Cristo nos oferece.
Não desanime. Não importa o que te digam, o passado passou e o amanhã é você quem decidirá o que será. Por isso hoje é um bom dia para:

Orar e se aproximar de Deus; 

Procurar aquele amigo que há tanto tempo você não vê;

Ter uma vida de fé, pautada em tesouros incorruptíveis e eternos;

Se declarar para seu grande amor;

Pedir perdão para quem você magoou;

Ler aquele livro que há tanto tempo deseja;

Tirar um tempo livre com sua família;

Recomeçar aquele projeto que você deixou de lado;

Buscar uma nova chance;

Ir a um culto louvar a Deus e ouvir a sua palavra;

Fazer um novo curso;

Adotar um animal de estimação;

Fazer um piquenique; 

Tirar um tempo só para você;

A lista é infinita... mas você pode ir completando cada linha, dia após dia. O importante somente inclua nesses objetivos o que realmente vale a pena.

Edifique seus sonhos na rocha




Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. Mateus 7:24-27



Nossas vidas são constituídas de sonhos e todos nós desejamos construir algo. Quando somos crianças, é comum responder a pergunta: "O que você vai ser quando crescer?". E já de pequenos nós temos a resposta na ponta da língua: bombeiro, policial, médica, mãe, caminhoneiro... alguns, na dúvida, apontam até mais de uma profissão. Mas uma coisa é fato, o desejo de fazer algo útil, para nós e nossa família é um desejo inato ao ser humano.
Com o tempo e a maturidade, o que era sonho de criança pode se concretizar ou não. Seja porque mudamos de opinião, seja porque as circunstâncias da vida fizeram com que nossos sonhos se distanciassem.
E é quando os sonhos se distanciam ou deixam de existir que abrimos a porta para a frustração. São empregos que nunca aparecem, são diplomas que não bastam para um cargo, são ideias que dão errado, enfim, são inúmeros os obstáculos e injustiças que surgem ao longo da vida, fazendo com que os nossos sonhos se tornem apenas uma utopia. Um desejo de criança, que mora apenas na fantasia.
Mas sabe qual a verdade? Nossos sonhos escorrem por nossos dedos porque permitimos. Ainda que não seja esse o nosso desejo, a verdade é que, quando as dificuldades aparecem, quando as coisas se tornam trabalhosas demais, desistimos.
E, como se não bastasse, além de desistir, nos revoltamos com Deus.

"Por que Deus não me dá um emprego?"
"Por que não consigo por minhas ideias em prática?"
"Por que tudo o que faço não dá certo?"
"Por que fulano tem tanto e eu tão pouco?"

Murmuração, inveja e frustração são sentimentos recorrentes, aos quais torna-se quase impossível resistir. A consequência disso é trágica: a perda da fé.
Grande maioria das pessoas que hoje não creem em Deus ou se afastam dele é porque se decepcionaram com a vida.
Mas o que precisamos compreender é que Deus não é responsável por nossas escolhas.
Ele nos abençoou com o livre arbítrio para que tivéssemos liberdade, mas, por ser justo, Ele também nos atribuí a responsabilidade por cada um de nossos atos e escolhas.
Então, se seus sonhos se perderam no caminho, entenda: Não é culpa de Deus!
Entenda: não é porque as coisas não acontecem como e quando você gostaria, que Deus tenha te abandonado.
É preciso parar de misturar as coisas.
É preciso parar de buscar um culpado.
É preciso parar de impor a Deus o título de "responsável universal" pelas mazelas do mundo.
É preciso coragem para assumir nossos atos e nos responsabilizarmos por nossas escolhas, certas ou erradas.
Quando tivermos a humildade e a ombridade de assumir nossas responsabilidades, metade de nossos problemas se resolverão.
Porque quando assumimos nossa culpa eu passamos a ter mais cautela com nossos atos. Porque a certeza das consequências nos faz pensar antes de agir.

Então que tal mudar de paradigma hoje?

Que tal parar de se lamentar e murmurar contra Deus e tomar uma postura ativa diante da vida?

Que tal passarmos a edificar nossos sonhos COM Deus?

A bíblia assim nos orienta no salmo 37:4: “Mantém a tua alegria em DEUS e não nas coisas que estão ou ocorrem ao teu redor, e assim ELE atenderá aos desejos do teu coração.”
Em outras palavras: quando nosso coração está em Deus, ele realiza os desejos do nosso coração, porque nós e Deus passamos a ter um mesmo alvo, um mesmo objetivo.
Então porque insistir em ter controle de sua vida e seguir por aí como se estivesse em um carro desgovernado? De que adianta perder horas e noites de sono, de que adianta sofrer se há um Deus que deseja estar ao teu lado e te ajudar?
Entenda: a ajuda de Deus não significa não ter dificuldades, mas sim que em cada obstáculo você estará segurando nas mãos do Pai e, se confiar Nele, tudo andará bem.
Com quem você anda edificando sua vida?
Seja como o homem prudente, que edifica sua casa na rocha, que é Cristo Jesus. Entenda de uma vez por todas: "Tudo o que edificarmos sem Jesus, desmoronará".
O império Romano foi um dos maiores impérios do mundo, mas desmoronou. 
A Kodak foi a precursora das máquinas fotográficas e do filme analógico. Faliu.
O Brasil ganhou o título de campeão do mundo cinco vezes, mas na última copa perdeu por 7 x 0.
Enfim, se olhar ao longo da história verá que muitos impérios, muitos sonhos e ministérios ruíram.
Mas há uma coisa que não passa e não desmorona jamais é a palavra de Deus, pois ela é viva e eficaz!
Disse Jesus: O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.
Mateus 24:35
O que está esperando para mudar? Entregue o controle de sua vida nas mãos de Deus, confie Nele e não tema, pois se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.
Salmos 127:1

Quando a resposta de Deus é NÃO.



Tive de fazer um exame bem desagradável. Chama-se cintigrafia óssea e serve para ver como anda a saúde de seus ossos. Cheguei ao laboratório e foi quando descobri como era o procedimento: uma substância radioativa seria injetada na minha veia e eu teria de esperar três horas. Ao final desse tempo, voltaria para o laboratório e seria escaneado por mais de uma hora por uma máquina específica. Assim foi feito. Quando tudo acabou, recebi orientações da enfermeira que cuidou de mim e foi então que ela me disse algo que me pegou de surpresa: como eu estava radioativo, teria de passar 24 horas sem encostar, abraçar ou beijar qualquer criança ou mulher grávida.

Bem, nenhum problema quanto à mulher grávida, não havia nenhuma por perto. Mas eu tenho em casa uma filhinha de 5 anos, que costumo agarrar, apertar e beijar a todo momento. Sou um pai bem pegajoso, por isso costumo ter contato físico constantemente com minha bebê. Quando recebi a orientação da enfermeira, percebi que teria de ficar uma noite e uma manhã sem poder tocar na filhota. Não seria nada fácil. E não foi. Pedi à minha esposa que conversasse com ela antes de chegar em casa e já avisasse que papai teria de ficar um dia inteiro sem encostar nela. A bebê compreendeu e obedeceu, mas foi extremamente difícil para ambos ficar distante fisicamente um do outro.

Deus gosta de nos abençoar. Como um Pai amoroso e gracioso, o Senhor tem prazer em conceder galardões, isto é, presentes, prêmios, aos que o amam: “[...] é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Sim, o Senhor é carinhoso conosco e gosta de nos fazer o bem.

Assim como eu tenho naturalmente o ímpeto e a vontade de dar todo amor e carinho a minha filha, o Senhor tem o ímpeto e a vontade de dar todo amor e carinho a seus filhos. Abençoar-nos não é um sacrifício para ele, tampouco exige esforço ou é feito a contragosto: é prazeroso para ele nos abençoar. Do mesmo modo, dar beijos e abraços em minha filha não é nenhum sacrifício para mim, tampouco exige esforço ou é feito a contragosto. É prazeroso para mim fazer isso. Porém...

Diante do fato que eu não poderia beijar e abraçar minha filha, por mais que ela me pedisse, eu teria de dizer não a qualquer pedido dela por carinhos físicos. Do mesmo modo, muitas vezes o onisciente Deus sabe que, por mais que peçamos certas bênçãos a ele, o melhor para nós é não recebê-las. Assim, precisamos entender que, todas as vezes que Deus nos diz não, é porque ele sabe que é o melhor para nós.

Ao longo da noite e da manhã em que em não podia tocar minha filha, ela expressou o desejo de me beijar e abraçar algumas vezes. Vi nos olhos dela a decepção por não poder receber um beijinho de boa noite pelo menos. Mas eu sabia que, naquele momento, dar o que a bebê queria seria o que de pior eu poderia fazer por ela. E Deus sabe que, em muitos momentos, nos dar o que queremos não será o melhor. E, por isso, ele simplesmente diz não aos nossos pedidos, à nossa oração, à nossa súplica.

Quando você pedir algo a Deus e ele não lhe conceder, não se revolte. Não brigue com ele. Não o questione. Agradeça. Dê graças ao teu Pai, com a certeza de que ele sempre faz o que é melhor para você.
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Texto de Autoria de
Pr. Sérgio Müller